Oficina Devolutiva – Epigenética da Compreensão de Emoções em crianças e adolescentes SW

barbara luiza_nQueridos pais,

Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer imensamente a colaboração de tod@s e convidá-los para Oficina
Devolutiva da pesquisa “Epigenética da Compreensão de Emoções em crianças e adolescentes com Síndrome de Williams: uma análise sobre o processamento de estímulos musicais e visuais ” a ser realizada

Data: 01 de Julho de 2016 (próxima sexta-feira)

Horário: 14 horas

Local: UNESP – Rua Bento Teobaldo Ferraz, n. 271, Salas: 504 e 506

Barra Funda, São Paulo (próximo ao metrô Barra Funda)

Haverá atividades voltadas para pais e cuidadores:Roda de conversa sobre “Música e Desenvolvimento Socioafetivo na Síndrome de Williams”. Além de atividades para crianças e adolescentes:Oficina de Sensibilização musical

Na ocasião gostaríamos de solicitar a gentileza de levarem os laudos dos exames genéticos (FISH, MLPA, etc) realizados pelo/a seu/sua filho/a.

Qualquer dúvida acerca de como chegar ao local favor contactar Silvana Nascimento da ABSW (tel: 11-972743563)

Aguardamos a presença de tod@s.

Um forte abraço
Nara

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Estimados pais de crianças e adolescentes com Síndrome de Williams,

o(s) senhor(a) e seu(sua) filho(a) estão  sendo convidados a participar de pesquisas que tem por objetivos compreender como crianças e adolescentes com Síndrome de Williams (SW) reconhecem e memorizam estímulos afetivos em músicas e expressões faciais e avaliar a influência de recursos do ambiente escolar no desenvolvimento de habilidades socioafetivas e adaptativas.

Justificativa: A Síndrome de Williams (SW) é uma condição neurogenética rara e o seu fenótipo é caracterizado por paradoxos tal como habilidade de reconhecer estímulos afetivos positivos e prejuízos específicos no reconhecimento de emoções negativas ou na teoria da mente. Dificuldades em habilidades socioafetivas nesta população estão associadas a comorbidades psiquiátricas, tais como, Transtorno Generalizado de Ansiedade, Fobias e Transtornos do Espectro do Autista.  Ao mesmo tempo, indivíduos com SW possuem uma acrescida afinidade a música e pesquisas indicam diferenças no neuroprocessamento de trechos musicais com valência afetiva. O aprimoramento das investigações sobre a compreensão de emoções e o papel da música para os indivíduos com SW são relevantes e podem subsidiar a formulação de programas de intervenção adequados a esta população.

Participantes: 30 crianças e adolescentes entre 6 e 19 anos acompanhados por seus pais e cuidadores responsáveis.

Na primeira etapa (fevereiro a abril de 2016) será realizado:
1) apresentação dos objetivos dos estudos e aplicação junto aos pais de questionários que avaliam desenvolvimento e comportamento do(a) seu(sua) filho(a);
2) entrevista descontraída com as crianças e adolescentes para avaliação de indicadores de funcionamento cognitivo e socioafetivo com aplicação de testes neuropsicológicos e jogos digitais. Os jogos acontecem através da apresentação de músicas, fotografias de rostos de crianças ou cenas cotidianas. Durante os jogos digitais pequenos sensores serão colocados na pele nas regiões dos dedos e abdômen para medir batimentos cardíacos e sudorese.
3) questionários junto a escola e professores que avaliam itens ambientais para promover educação inclusiva.

A segunda etapa (novembro de 2016) dedica-se à apresentação dos resultados da pesquisa na qual será realizado:
1) Exposição dos resultados globais da pesquisa e entrega aos pais participantes de relatórios individuais sobre avaliação de indicadores de funcionamento socioafetivo e cognitivo dos(as) seus(suas) filhos(as).
2) Oficina de aproximadamente 2 horas na qual serão discutidos aspectos ligados a habilidades socioafetivas e o papel da música no desenvolvimento de crianças e adolescentes com SW.

Favor confirmar participação através do email (nandrade@usp.br) ou do telefone: (11) 98933-6969. A equipe responsável entrará em contato para agendar avaliação entre os dias 15 e 27 de fevereiro (São Paulo) e 14 a 25 de março (Bahia).

As pesquisas serão realizadas em:
1)    SÃO PAULO: Centro Paulista de Neuropsicologia / UNIFESP
•    Endereço: Rua Embaú, nº 50, Vila Clementino, São Paulo
2)    BAHIA: Hospital Universitário Prof. Edgard Santos / UFBA
•    Endereço: Rua Augusto Viana. s/n. Canela, Salvador.

Desde já agradecemos a sua colaboração.

Professores responsáveis
Dra. Emma Otta
Ms. Nara Andrade
Dra. Claudia Berlim de Mello

Alunos em nível de mestrado e doutorado: Karina Arruda, Nara Andrade, André

Instituições responsáveis:
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)
Centro Paulista de Neuropsicologia / Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Hospital Universitário Prof. Edgard Santos (HUPES)

Pesquisadores colaboradores:
Dra. Chong Ae Kim
Dra. Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira

 

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FENÓTIPO EMOCIONAL EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM SÍNDROME DE WILLIAMS: UMA ANÁLISE SOBRE O PROCESSAMENTO DE ESTÍMULOS MUSICAIS E VISUAIS

PESQUISADORES RESPONSÁVEIS
Nara Côrtes Andrade, Emma Otta

PESQUISADORES COLABORADORES
Chong AE Kim
Claudia Berlim de Mello
Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira
Adriana Sampaio
Tania Khiel
Karina Arruda

INSTITUIÇÕES RESPONSÁVEIS
Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP
Centro Paulista de Neuropsicologia da Universidade Federal de São Paulo.

OBJETIVOS

Objetivo Geral
Analisar o processamento de estímulos afetivos musicais e visuais em crianças e adolescentes com Síndrome de Williams e com Desenvolvimento Típico, considerando as relações entre compreensão de emoções, memória emocional e condição genética.

Objetivos específicos
    Caracterizar o perfil musical de indivíduos com Síndrome de Williams.
    Comparar o processamento de estímulos afetivos musicais, em níveis comportamentais e psicofisiológicos, em crianças e adolescentes com SW e com desenvolvimento típico (DT).
    Comparar o processamento de estímulos afetivos visuais, em níveis comportamentais e psicofisiológicos, em crianças e adolescentes com SW e com DT.
    Investigar se há relação entre o padrão de rastreamento do olhar e o padrão de dilatação pupilar frente aos estímulos afetivos visuais apresentados e prejuízos na compreensão de emoções.
    Comparar habilidades de memória emocional em música e memória emocional verbal em crianças e adolescentes com SW e com DT.
    Analisar se as habilidades referentes ao fenótipo emocional são mediadas pelo funcionamento cognitivo.
    Investigar se há relação entre compreensão emocional, regulação emocional, teoria da mente e problemas de comportamento em crianças e adolescentes com SW.

MATERIAIS E MÉTODOS
Participantes
Participarão do presente estudo 30 crianças e adolescentes, entre 6 e 19 anos de idade, com diagnóstico clínico e genético confirmado de Síndrome de Williams e a participação será voluntária e esclarecida. 60 crianças com desenvolvimento típico conformarão dois grupos controle que serão pareados em termo de: 1) idade cronológica, além de sexo, tipo de escolaridade e nível sócio econômico; 2) nível intelectivo, além de variáveis sociodemográficas.
Procedimentos
Trata-se de um estudo de delineamento quase-experimental transversal, tipo caso controle. A aplicação dos instrumentos ocorrerá em situação controlada, conduzida individualmente, em sala silenciosa e previamente estruturada para a investigação. A presente pesquisa será composta de duas etapas a serem realizadas com as crianças e adolescentes: 1) avaliação do processamento de estímulos com valência afetiva e 2) avaliação cognitiva. Além de disto, pais ou responsáveis serão convidados a responder escalas e questionários com vistas a realizar uma avaliação comportamental e de interesse e habilidades musicais.
Avaliação do processamento de estímulos com valência afetiva
Esta etapa será composta por três experimentos complementares que visam avaliar respectivamente: 1) a compreensão de emoções através de estímulos visuais; 2) a memória emocional auditiva e 3) a compreensão de emoções através de estímulos musicais. Com vista a realizar uma interpretação mais acurada dos resultados serão realizadas medidas fisiológicas de ativação emocional (frequência cardíaca, temperatura e condutância da pele) realizadas através do equipamento de registro de medidas fisiológicas (TEA-CAPTIV).
Experimento 1 – Compreensão de emoções estímulos visuais
Os estímulos visuais serão apresentados em um monitor de 23-polegadas de um equipamento de rastreamento de olhar (Tobii TX-300 Eye tracker). Os participantes, portando sensores para mensurar frequência cardíaca, temperatura e sudorese, associados ao software CAPTIV, ficarão sentados individualmente diante de uma tela de computador e da câmera de rastreamento de olhar, sob iluminação constante. O equipamento de rastreamento de olhar será calibrado. Cada imagem alvo será apresentada até a execução do item pelo participante. Durante os experimentos, os rostos dos participantes serão filmados através da câmera. A captação de vídeo visa observar expressões faciais exibidas pelos participantes durante a realização das tarefas.
A primeira fase consistirá em realizar medidas de rastreamento de olhar, incluindo fixações e sacadas (mudanças rápidas na direção do olhar) e medidas eletrofisiológicas durante a execução de duas tarefas neuropsicológicas: reconhecimento de emoções e teoria da mente (NEPSY-II). Para cada tarefa serão definidas áreas de interesse (AI). No subteste Reconhecendo Emoções (NEPSY-II), por exemplo, cada face apresentada se constituirá em uma AI, as regiões do rosto (olhos, boca e outras áreas dentro do contorno da face) também serão consideradas AIs. Será mensurado também o número de movimentos sacádicos de dentro para fora do rosto, assim como região e tempo de fixação.
Experimento 2 – Memória emocional auditiva
Para esta etapa serão realizadas duas tarefas de memória contendo, respectivamente, estímulos com valência emocional em formato de trechos musicais e palavras (Anexo III). Este experimento foi utilizado previamente em investigação com a população estudada  e os utiliza-se dos trechos musicais contemplados no presente estudo (Marques, 2008). Ambas as tarefas de memória emocional consistirão em três etapas: a primeira de codificação, seguida de reconhecimento de curto prazo e reconhecimento de longo prazo (20 minutos depois da etapa de codificação).
Na etapa de codificação da tarefa de memória para estímulos musicais, os participantes ouvirão nove trechos musicais de cinco segundos cada, sendo três para cada categoria emocional (alegria, tristeza e medo). Os trechos serão apresentados em uma sequência fixa através do software SuperLab. Em seguida as tarefas de reconhecimento de curto e longo prazo apresentarão 27 estímulos, sendo nove estímulos alvo e 18 estímulos distratores. Os participantes serão convidados a responder se as músicas correspondem à primeira lista apresentada através de um botão com as opções “s”, se eles reconhecerem, e “n” se não reconheceram.
A etapa de codificação de estímulos verbais consistirá na apresentação de 12 palavras. As palavras pertencem a uma mesma classe gramatical (substantivos singulares) contendo entre cinco e nove letras e entre duas e quatro silabas. As palavras foram selecionas de modo a contemplar três valências afetivas (positiva, negativa e neutra). Cada palavra será apresentada por três segundos em uma ordem fixa através do Softwere SuperLab. As tarefas de reconhecimento imediato e tardio terão a apresentação de 36 palavras, sendo 12 estímulos alvo e 24 estímulos distratores. Os participantes serão convidados a responder se as palavras correspondem à primeira lista apresentada através de um botão com as opções “s”, se eles reconhecerem, e “n” se não reconheceram.
Experimento 3 – Compreensão de emoções estímulos musicais
Os estímulos musicais serão apresentados digitalmente em situação controlada, conduzida individualmente, em sala silenciosa e previamente estruturada para a investigação. Os trechos musicais serão diferenciados em três categorias de emoção: alegria, tristeza e medo. Considerando que estes trechos musicais foram desenvolvidos em outro contexto cultural, o presente estudo prevê uma etapa anterior ao experimento com a população alvo que visa à sua validação para o contexto brasileiro.
Os participantes estarão sentados em frente ao computador que emitirá o estímulo auditivo musical e serão instruídos a escutar atentamente à música. O experimento será composto por uma fase passiva, na qual os estímulos serão apresentados e as medidas psicofisiológicas serão coletadas. Em seguida os participantes serão solicitados a identificar a emoção de cada estímulo sonoro entre três opções de rótulo verbal de emoção apresentadas pelo pesquisador (alegria, tristeza e medo). As questões serão aplicadas com a mediação oral do pesquisador. Além do rótulo será solicitado que o participante avalie a valência afetiva de cada trecho musical em escala likert da Self-Assessment Manikin – SAM (Bradley & Lang, 1994). Durante os experimentos, os rostos dos participantes serão filmados através da câmera anexa ao computador que apresentará os estímulos.
O experimento será iniciado com dois trechos musicais para explicação da tarefa e treinamento. Esta fase de treinamento visa a familiarizar o participante com a tarefa. Em seguida 24 trechos musicais de duração média de 12 segundos cada (8 alegres; 8 tristes e 8 amedrontadores) serão apresentados de maneira randômica, com intervalos de 20 segundos entre os trechos. Os trechos foram selecionados do estudo de validação para a população brasileira entre aqueles com percentual de concordância superior a oitenta por cento. Os estímulos sonoros serão apresentados a 70 decibéis, considerando que a intensidade da fala varia entre 50 e 60 decibéis, e que a literatura considera esta uma intensidade confortável à audição.

Avaliação do perfil cognitivo e linguístico
Esta etapa será realizada com a finalidade de analisar o perfil cognitivo e linguístico da população estudada. Dois testes neuropsicológicos serão aplicados individualmente em sala silenciosa e previamente estruturada para a investigação. Para avaliação do nível intelectivo utilizar-se-á a versão completa da Escala Wechsler Abreviada de Inteligência – WASI. Para avaliação da linguagem expressiva e receptiva utilizar-se-á, respectivamente, os subtestes Produzindo Palavras e Compreendendo Instruções do NEPSY-II: Avaliação Neuropsicológica do Desenvolvimento.

Avaliação de interesse e habilidades musicais, da regulação emocional e de problemas de comportamento
Pais ou responsáveis serão convidados a responder escalas comportamentais sobre os seus/as filhos/as com vista a avaliar as dimensões de: interesse e habilidade musical (Inventário Salk/McGill de Música – AnexoIV); regulação emocional (Lista de regulação de emoções/ERC – Anexo V). Para avaliar a presença de problemas de comportamento, utilizar-se-á as escalas Brief Problem Monitor (BPM)  e Behavior Problems Inventory (BPI-01 – Anexo VI).

Instrumentos de avaliação
Inventário Salk/McGill de Música é um questionário com 46 itens, 33 de múltipla escolha de tipo Likert e 13 de resposta livre. Este instrumento foi previamente utilizado com estudos com populações com SW e visa a avaliar dimensões como interesse em música, criatividade e reprodução musical, resposta emocional a música e formação musical (Levitin et al., 2004).
O Questionário de aspectos socioeconômicos e de saúde (Anexo VII) visa analisar as condições de saúde da criança e condição socioeconômica da família e foi respondido pelos pais ou responsáveis da mesma. Este foi utilizado também para fins de triagem, visto que abordou questões referentes aos antecedentes neurológicos e psiquiátricos das crianças, assim como o peso ao nascer. Salienta-se que a condição econômica da família foi avaliada através do Critério de Classificação Econômica Brasil (ABEP, 2015).
A Self-Assessment Manikin (SAM) é uma técnica de avaliação não verbal desenvolvida por Bradley e Lang (1994) que mensura diretamente o prazer, a ativação e a dominância associadas à reação afetiva de uma pessoa a uma variedade de estímulos. As figuras gráficas do SAM consistem de escalas bipolares que representam diferentes valores ao longo de cada dimensão, originalmente desenvolvidas em versão lápis e papel, na forma de escalas de nove pontos, que podem s er apresentadas em versão digital para facilitar a construção de planilhas de dados e a análise estatística.
A Escala Wechsler Abreviada de Inteligência (WASI) WASI é um instrumento que visa avaliar a capacidade intelectual de indivíduos entre 6 e 89 anos de idade. Caracterizada como uma avaliação abreviada da inteligência é composta de quatro subtestes (Vocabulário, Cubos, Semelhanças e Raciocínio Matricial) que possibilitam analisar o Quociente de Inteligência (QI Total), além do QI de Execução e Verbal.
O NEPSY-II: Avaliação Neuropsicológica do Desenvolvimento (Korkman, Kirk & Kemp, 2007) volta-se à avaliação neuropsicológica de crianças de criança de três a dezesseis anos de idade sendo formada por 27 subtestes que compõem os seguintes domínios funcionais: Atenção/Função Executiva, Percepção Social, Linguagem, Aprendizagem e Memória, Processamento Viso-espacial e Função Sensório-motora (Agollo et al., 2009).  Este instrumento tem se destacado internacionalmente sendo normatizado em oito países: Estados Unidos, Colombia, Zambia, Australia, Finlândia, França, Suécia e Noruega (Argollo et al., 2009) (Korkman, 2001). O NEPSY-II foi adaptado por Argollo e colaboradores (2009) e encontra-se validada para o contexto brasileiro. O subteste Compreendendo Instruções avalia linguagem receptiva através da habilidade de perceber, processar e executar instruções orais de complexidade sintática crescente. Para cada item, a criança/adolescente é solicitada a apontar para o estímulo apropriado à resposta da instrução oral. O subteste Produzindo Palavras avalia fluência verbal através através da habilidade para gerar palavras dentro de categorias específicas. É solicitado que a criança/adolescente produza tantas palavras quanto for possível dentro de uma categoria semântica ou fonológica em um intervalo de 60 segundos. Esta tarefa fornece informações acerca da capacidade de linguagem expressiva, armazenamento do sistema de memória semântica, da habilidade de recuperar a informação guardada na memória e do processamento das funções executivas, especialmente, aquelas através da capacidade de organizar o pensamento e as estratégias utilizadas para a busca de palavras dentro de categorias semânticas e fonológicas.
A Lista de Regulação de Emoções (ERC) é uma escala de 24 itens de tipo Likert que varia de 1 (raramente/nunca) a 4 (quase sempre) divida em duas subescalas: regulação das emoções e labilidade e negatividade emocional (Shields & Cicchetti, 1997). A referida escala visa avaliar a regulação emocional em crianças e foi adaptada e validada para o Brasil (Reis et al., 2014).
A escala Brief Problem Monitor – BPM é um instrumento breve que visa avaliar problemas de comportamento em crianças e adolescentes. As suas subescalas incluem a avaliação problemas de atenção, problemas internalizantes e problemas externalizantes. Os seus itens são retirados de escalas com ampla utilização na literatura, tal como o Child Behavior Checklist (CBCL) (Achenbach, McConaughy, Ivanovaa, & Families, 2011).
O Behavior Problems Inventory (BPI-01) é um questionário construído especialmente para pessoas com deficiência intelectual e transtornos psiquiátricos severos que tem como objetivo avaliar problemas de comportamento relativos a agressividade, autoagressão e comportamentos estereotipados em crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos de idade. Este instrumento foi devidamente adaptado para o contexto e língua brasileira (Baraldi et al., 2013).

ASPECTOS ÉTICOS
Os procedimentos adotados nesta pesquisa seguiram as orientações éticas previstas nº 466 de 12 de dezembro de 2012, do Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Saúde e Comissão Nacional de Ética em Pesquisa – MS/CNS/CONEP e na Resolução 016/2000, do Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2000), sendo sua realização aprovada em Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (CAAE: 45139115.9.0000.5561).
Os procedimentos utilizados não são invasivos ou aversivos para as crianças e adolescentes. A participação no estudo é voluntária e esclarecida quanto aos objetivos, sendo que pais/ responsáveis estão sendo convidados a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (Anexo I e II) e, quanto pertinente, os participantes a assinarem o Termo de Assentimento Livre Esclarecido (Anexo I e II). As dúvidas serão esclarecidas e, após assinatura do TCLE e Termo de Assentimento, os indivíduos serão cadastrados e incluídos no estudo.
As imagens oriundas do experimento serão utilizadas exclusivamente para fins de pesquisa. Entretanto como, eventualmente, os dados das avaliações poderão ser utilizados em publicações científicas e/ou eventos relacionados ao tema, foi incluído um campo independente para autorização do uso de imagens.

Riscos
A metodologia adotada, que inclui testes neuropsicológicos, imagens ou sons, é adequada à população alvo e faixa etária do presente estudo e não apresentam, em princípio, desconforto potencial para os participantes. Considerando o risco de identificação do participante e visando assegurar a confidencialidade, será utilizado recurso de codificação para os instrumentos e serão tomados cuidados para não permitir a identificação do participante pela face.

Benefícios
A presente pesquisa, ao promover a utilização de medidas comportamentais, em associação com medidas psicofisiológicas e com o uso de uma tecnologia avançada de rastreamento de olhar (Eyetracker) para analisar o processamento de estímulos afetivos, ainda muito pouco difundida no Brasil, poderá permitir um aprimoramento das investigações sobre a compreensão de emoções em indivíduos com Síndrome de Williams (SW). Ao contribuir para a compreensão do desenvolvimento da competência emocional nesta população, poderá subsidiar a formulação de programas de intervenção. Estudar como fatores de ambientais e contextos de desenvolvimento afetam o desenvolvimento de habilidades adaptativas em crianças e adolescentes com SW, por sua vez, pode cooperar para a compreensão de fatores epigenéticos associados ao desenvolvimento destas habilidades.
Considerando que a pesquisa científica deve estar implicada na realidade na qual se realiza, será oferecida como contrapartida para os participantes, após a realização das atividades da pesquisa, avaliação neuropsicológica aprofundada que poderá subsidiar projetos terapêuticos individuais.  Ponderando que estudos anteriores apontam déficits na compreensão de emoções na população estudada, pais e/ou responsáveis serão convidados a participar de uma oficina com objetivo fomentar intervenção domiciliar com foco na habilidade de compreensão de emoções negativas, visto que esta é um déficit frequente na população alvo do estudo.

 

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O IMPACTO DOS RECURSOS DO AMBIENTE ESCOLAR NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES ADAPTATIVAS
PESQUISADORES RESPONSÁVEIS
Karina Arruda
Claudia Berlim de Mello

PESQUISADORES COLABORADORES
Chong AE Kim
Nara Andrade

INSTITUIÇÃO RESPONSÁVEL
Centro Paulista de Neuropsicologia da Universidade Federal de São Paulo.

Objetivo Geral
Avaliar a influência de recursos do ambiente escolar que contemplem
uma proposta de educação inclusiva bem como os recursos parentais no
desenvolvimento de habilidades adaptativas de alunos com Síndrome de
Williams.

Objetivos Específicos
•    Descrever quantitativa e qualitativamente os recursos
relativos ao apoio de Educação Inclusiva de maior relevância nas
escolas nas quais as crianças com SW estudam, considerando alguns
critérios como: acessibilidade do prédio, organização das turmas,
formação do professor, recursos pedagógicos, recursos humanos e acesso
ao Atendimento Educacional Especializado.
•    Investigar aspectos do ambiente familiar dos
participantes que podem influenciar o desenvolvimento de habilidades
adaptativas a partir de escala específica.
•    Avaliar os Recursos Familiares oferecidos em uma amostra de crianças
com SW, a partir das respostas dos responsáveis a um inventário
especifico – RAF (MATURANO, 1999)
•    Avaliar as habilidades adaptativas de uma amostra de crianças com
SW, a partir das respostas dos responsáveis a um inventário especifico
Vineland II (SPARROW, et al. 2005).
•    Avaliar associações entre os recursos pedagógicos
oferecidos pela escola e as habilidades adaptativas, através das
respostas dos professores ao inventário: Recursos do ambiente escolar
para a Inclusão de Alunos com Deficiência (escala criada
especificamente para esta pesquisa).

Materiais e  métodos
Na definição dada pela Organização Mundial de Saúde, levaremos em
consideração as crianças que forem submetidas a um teste de
inteligência e obtiverem um escore entre 55 e 70, problemas de
habilidades adaptativas, analisando o seu contexto ambiental através
de informações sobre o ambiente familiar e escolar.

Participantes

Participarão do estudo pelo menos 20 alunos do Ensino Básico de 7 a 17
anos, bem como os responsáveis e professores da sala de aula que
frequentam.

Critério de inclusão
Crianças e adolescentes de 7 a 17 anos com diagnóstico de SW
que assinarem o TCLE;
Professores que tenham alunos com diagnóstico de SW, que
assinarem o TCLE;
Pais das crianças e adolescentes com diagnóstico de SW com
diagnóstico de Síndrome de Williams, que assinarem o TCLE.

Critério de exclusão:

Pais, professores, crianças e adolescentes que não consentirem a
participação na pesquisa.

Instrumentos:

1     a) Escala Vineland-II (SPARROW, et al. 2005), que avalia o
comportamento adaptativo desde a primeira infância até a vida adulta,
com questões organizadas em 4 grandes domínios, que subdividem-se em
11 subdomínios: comunicação receptiva, expressiva e escrita; autonomia
– pessoal, doméstica e comunitária; socialização – relações
interpessoais, lazer e regras sociais.

2     b) Recursos do ambiente escolar para a Inclusão de Alunos com
Deficiência baseado no Plano de Desenvolvimento Individual PDI( POKER,
et al., 2013) – Tal inventário foi desenvolvido especificamente para
essa pesquisa com base em dados do PDI Que deve ser fornecido pela
Escola a ser comparado com um modelo padrão composto por um
questionário que avalia qualitativamente os itens ambientais que a
Escola dispõe para a inclusão do aluno com deficiência, bem como as
ações inclusivas promovidas por ela. (Dados relativos os recursos que
promovem as políticas de ed. Inclusiva). (ver Anexo A). Com base em
uma pontuação que considera a qualidade dos recursos, o ambiente
escolar e a formação do professor.

3       c) RAF – Inventário de Recursos Ambientais Familiares
(Maturano, 1999) : Esse instrumento permite a investigação de recursos
materiais e promotores do desenvolvimento e a influência da família
como: estabilidade no ambiente familiar, disponibilidade dos recursos
promotores de desenvolvimento e o envolvimento dos pais nos cuidados
da criança, que podem direcionar positivamente a motivação para a
aprendizagem e o desenvolvimento de competência interpessoais que
garantam um bom relacionamento no ambiente escolar e social.