A importância da análise genética

Do Diário do Grande ABC
20-02-2017

Testes feitos a partir de amostras de sangue podem estipular a probabilidade do aparecimento de doenças . O avanço da tecnologia e o crescimento no conhecimento genômico causaram evolução significativa no setor de diagnósticos. No caso da análise molecular, tem sido possível propagar verdadeira revolução na prevenção de diversas doenças, como mal de Alzheimer, fibrose cística, síndrome de Lynch, doença de Huntington, síndrome de Down, além de diversos tipos de câncer, tais como mama e ovário, colorretal, próstata, pulmão, entre outros.

A análise genética é recomendada em casos específicos em que há forte histórico familiar. Os testes podem estipular as probabilidades de aparecimento de mais de 2.200 doenças genéticas hereditárias. Pacientes com casos da doença na família podem optar por conhecer suas chances de desenvolvê-la e considerar a opção de tratamento de redução de risco, ou até mesmo avaliar a probabilidade de transmiti-la a seus descendentes. Nestas análises são avaliados os genes que estão frequentemente mutados e também outros não muito frequentes, mas tão importantes quanto para o desenvolvimento da doença, que registrou aumento de 40% de casos nas últimas duas décadas.

No Brasil, os exames mais procurados são os relacionados ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Análises moleculares para câncer mapeiam os aspectos mais importantes nos cuidados contra o desenvolvimento da doença; pré-disposição, prevenção, detecção precoce, diagnóstico, prognóstico e tratamento adequado. Os testes analisam as síndromes de predisposição mais frequentes que levam ao desenvolvimento de tumores como mama e ovário, colorretal, próstata e pulmão, bem como genes associados ao aumento da suscetibilidade ao aparecimento de neoplasias.

As pesquisas na área oncológica apresentaram avanços consideráveis, porém esses avanços não foram capazes de frear o crescimento do câncer. Todos os anos, mais de 12 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com a doença. Dessas, quase 8 milhões não sobrevivem. Segundo os mais recentes estudos a respeito, um terço das mortes poderia ser evitado com a detecção precoce da doença, sendo este o principal fator para o aumento da sobrevida dos pacientes.

Tania Vulcani é graduada em Ciências Biológicas Modalidade Médica pela Unesp-Botucatu, mestre em Ciências Médicas pela Unicamp, doutorada em Ciências pelo Departamento de Morfologia e Genética da Unifesp e diretora científica do Laboratório Inteligene Genética Integrada

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